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Plano Metropolitano de Adaptação às Alterações Climáticas


Plano Metropolitano de Adaptação às Alterações Climáticas

Foi hoje apresentado o Plano Metropolitano de Adaptação às Alterações Climáticas da Área Metropolitana do Porto numa sessão que decorreu durante a manhã no The Yeatman Hotel.

"Todos nós temos obrigação de descer a escala e, do ponto de vista municipal ou intermunicipal, fazer um trabalho de aproximação dos resultados [do estudo hoje apresentado sobre alterações climáticas na região] a práticas concretas", afirmou o também presidente da Câmara de Vila Nova de Gaia, distrito do Porto, na cerimónia de apresentação do Plano Metropolitano de Adaptação às Alterações Climáticas da Área Metropolitana do Porto (AMP).

O autarca disse "assumir o compromisso" de motivar todos os municípios da região para "introduzir estes novos assuntos, que são ao mesmo tempo novas questões sociais", na agenda política.

Afirmando que o paradigma das autarquias está a mudar "das rotundas, de obras de mais infraestruturação, para um conjunto de dimensões imateriais", Eduardo Vítor sublinhou a importância de "levar à prática ações de sensibilização sobre esta temática das alterações climáticas".

A inexistência de uma rede consistente de monitorização climática na AMP pode pôr em causa qualquer medida que a região venha a adotar para se adaptar às alterações climáticas, foi hoje revelado.

O presidente do CmP considerou que este plano é "um instrumento de trabalho, de diagnóstico e de compreensão dos fenómenos [climáticos] que, apesar de estarem na agenda, são muito desconhecidos".

"É um ponto de partida para um novo trabalho", frisou.

O Plano Metropolitano de Adaptação às Alterações Climáticas (PMAAC), apresentado esta manhã numa sessão pública em Gaia, "procura estabelecer um roteiro estratégico que facilite a adaptação da AMP aos riscos climáticos, que coloque definitivamente as ameaças decorrentes dos riscos climáticos na agenda dos políticos, dos planeadores, e que crie um público" comprometido com o problema.

O documento propõe ações e estratégias para adaptação aos riscos climáticos "atuais e futuros", como a realização de "cartas de zonamento climático local para cada um dos 17 municípios da AMP", o "usar a saúde e qualidade de vida como a motivação para mudar de paradigma", identificando os grupos mais vulneráveis aos eventos extremos e melhorando a acessibilidade (física e económica) aos cuidados de saúde ou estimulando estilos de vida saudáveis.

Propõe ainda uma "coordenação política", através da criação de redes de interesse comum para a adaptação aos riscos climáticos independentemente dos limites administrativos e que se dotem os serviços de proteção civil de conhecimento atualizado e fiável no domínio dos riscos climáticos.

Em declarações à Lusa, a coordenadora do PMAAC, Ana Monteiro, afirmou que foi possível concluir que "há muito pouca informação climatológica" sobre a região e a que há "é fraca", o que dificulta definir medidas específicas para a adaptação às alterações climáticas, porque "o sistema climático é intrinsecamente vulnerável" e é preciso "conhecê-lo", antes de mais.

O documento refere que a região -- 17 municípios dos distritos do Porto e Aveiro - tem "uma das raras estações climatológicas seculares existentes no mundo [a do Porto-Serra do Pilar], o que permite compreender o modo de funcionamento do sistema climático ao longo de mais de cem anos", mas salienta que a sua "representatividade é geograficamente limitada à área envolvente".

Foram também usados registos das estações do Aeroporto do Porto e de Arouca, mas a "inexistência de estações climatológicas com séries de registos suficientemente consistentes numa área com mais de 2.000 quilómetros quadrados e tão diferenciada geograficamente" revela ser "uma lacuna elementar para dar resposta credível às múltiplas necessidades de adaptação às alterações climáticas", porque "a evidência científica tem demonstrado que frequentemente, em poucos quilómetros, é possível ter estados de tempo bem mais diversos".

O PMAAC, cuja coordenação global é da responsabilidade da AMP, da MAPIS -- Mapping Intelligent Solutions e do Departamento de Geografia da Faculdade de Letras da Universidade do Porto, indica existirem "evidências consistentes da subida da temperatura e de ocorrência de um número maior de extremos de calor e de frio, de uma mudança estacional na distribuição da precipitação e de um aumento da frequência de eventos extremos de vento".

Para "as próximas décadas", o PMAAC estima que, tendo por base "três fontes distintas de informação", a AMP viverá "cada vez mais eventos extremos", adiantando que haverá uma "tendência de aumento da temperatura, um aumento da frequência de ocorrência de eventos extremos de frio e de calor, e modificação da precipitação tanto em quantidade como na sua distribuição ao longo do ano, assim como o aumento do desconforto bioclimático", bem como "um aumento da frequência de ocorrência de episódios extremos de vento".

Refere que, "a AMP observará no período 2017-2040, comparativamente com o período 1987-2016, a mesma amplitude térmica diária, um aumento do valor máximo da temperatura diária máxima entre meio grau e 1 grau centígrado, a diminuição em um a cinco dias do número de dias com precipitação superior a 1mm, um aumento de cinco dias/ano de seca por cada aumento de 100 partes por milhão (ppm) de CO2", por exemplo.

O plano realça, contudo, que a tal "inexistência de uma rede consistente de monitorização climática na AMP (...) impede a antecipação de consequências dos potenciais riscos climáticos despoletados pelas alterações comportamentais do sistema climático".

Além dessa rede, para Ana Monteiro, para que seja possível a AMP adaptar-se às alterações climáticas torna-se também fundamental passar para a população "informações sobre as condições de conforto" face ao clima, porque estas condições variam entre o sexo e a idade das pessoas, e são na realidade "as que têm efeitos na saúde".

"A magnitude dos riscos climáticos resulta do comportamento momentâneo de cada uma das variáveis climáticas, mas também do perfil do indivíduo exposto. Por isso, é muito mais importante avaliar o (des)conforto bioclimático do que observar apenas os registos climáticos", lê-se no plano, que acrescenta que "o risco climático dependente substancialmente da perceção que cada um individualmente tem do (des)conforto e consequentemente da valorização que lhe atribui".

Motivar a concertação intermunicipal para financiar o diagnóstico e a ação no domínio dos riscos climáticos, bem como atrair o conhecimento científico ao processo de decisão política fazem ainda parte das propostas apresentadas.

A coordenadora do plano frisou à Lusa que "a adaptação às alterações climáticas é um processo contínuo", que obriga ao envolvimento permanente de investigação científica, a recolha de dados e monitorização, a disponibilidade para mudar as leis, regulamentos, planos, políticas e programas, bem como a formação contínua dos decisores, técnicos e população, a consciencialização nas ações e consequências, a admissão do risco, da incerteza e a flexibilidade para admitir a correção de decisões.


LUSA/DN

2018-07-20

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